O Capeta quer voltar – II

28 06 2009

demagogiaOs colegas da imprensa realmente não sabem esconder segredos. Mas também não sabem medir o peso que uma informação mal colocada pode causar. Hoje, por exemplo, um companheiro de jornal das antigas veio delatar as “tendências” de um certo repórter, que ultimamente sondava o clima acirrado na política de Holambra. Contou, meu colega, que o tal jornalista realmente estava tendencioso em denegrir a imagem da atual prefeita, e que fora, sim, influenciado pela meia dúzia de opositores que lhe abasteceram com as iniciais informações. Afirmação confirmada mais tarde. E esse tal jornalista reclamou ao meu colega que depois da publicação de sua matéria (a primeira sobre o caso de afastamento da prefeita e do presidente da Câmara), não mais pôde levar a investigação adiante, por que teria sido “congelado” pelos editores do jornal. Eu e meu colega discutimos sobre o fato. Lembramos, por exemplo, da nossa exaustiva tentativa de permanecer imparcial na época de eleição, mesmo com tantas tentações e promessas nas mãos. Lembramos que na época estávamos sintonizados com o paradeiro da política em Jaguariúna (onde trabalhamos) e por isso sabíamos onde o buraco era menos fundo para se pisar. Havia um acordo invisível entre jornalista e fonte, mas mesmo esse acordo nunca veio à tona ou nos colocou diante da opinião pública taxativa, denunciadora, que vive de fulanismos. Fizemos nossos papéis, mas estudávamos os meandros, pós e contras, certos e errados, dentro da política. Por mérito, recebemos uma menção honrosa na Câmara da cidade pelo trabalho ético e sério. Obviamente ficamos inflamados, mas convictos de nossas posturas enquanto agentes jornalísticos. Leia o resto deste post »





O Capeta quer voltar

25 06 2009

luciferNo ano passado foi interpelado por diversas vezes por uma escória de políticos bandidos que, de toda maneira, tentaram barrar meus trabalhos jornalísticos em Holambra-SP. Cheguei até a receber ameaças telefônicas e xingamento em público, durante eventos onde essa mesma escória se encontrava. Tentaram cortar meus dedos quando denunciei abandono público nas escolas municipais. Ameaças de morte. Grave. Quiseram minha cabeça quando denunciei superfaturamento em diversas esferas licitatórias. Não podia passar pelo portal da cidade que meu carro era seguido, de longe, por capangas mafiosos. Havia um clima em Holambra que me fazia lembrar certos filmes épicos e gloriosos. Leia o resto deste post »





Hotel do barulho

22 03 2008

A letra garranchada e inteligível na ficha de hóspedes sempre foi comum. Além de ter a mania em escrever olhando para o rosto das pessoas, às 10h35 dona Cidinha já bebericava a sua oitava cerveja. Obviamente, a sua língua já não obedecia a voz rouca que saia de dentro dela, e os dedos das mãos jaz adormecidos. Os olhos vermelhos estavam disfarçados por uma máscara carnavalesca, totalmente fora do contexto sertanejo daquele dia. As estrelas de papel prata penduradas na recepção do Hotel Zé Maria não teriam tanta graça se não fosse dona Cidinha balançá-las toda vez que algum artista chegasse por ali. Leia o resto deste post »





ACID TEST

2 12 2008

kesey21O prisma colorido que se formou no final da tarde de ontem, em raios simultâneos atingindo a varanda pacata, e transformando uma violeta murcha sob a mesa em uma das flores mais lindas do dia. O gato cinza repousando na cadeira foi crescendo gradativamente, e de repente, rosnava como um bichano matador, com olhos de sangue borbulhando em direção ao dono. Lábios adocicados, lambidas tórridas numa pastilha cristalizada. Densa camada de fumaça, perfume e Bob Dylan. Se do lado de fora alguém viesse ao meu encontro, seria engolido por olhos vidrados focalizados na altura dos órgãos genitais. Diriam que aquilo estaria muito ‘drop out’ para suas rotinas, e que foi uma infelicidade meus pais tentarem ocultar Ken Kesey da minha estante. Filho da Lost Generation, diriam. Em passos lentos os receberia com violetas, leopardos e lábios doces, sob os frutíferos gramados de La Honda. “High”, sentia-me. Havia passado no ‘acid test’, e nem por isso queria voltar ao normal padrão das coisas-nos-lugares-certos. A tarde acabou, e o chá na mesa esfriou. Aturdido pelo encerramento de tanta beleza visual, fechei as máquinas prismáticas da viagem.





Assim seja!

25 02 2009

011Pega a fralda pra mim? Olha, não está gelada a mão dele? Tem dois edredons no armário…pega lá e coloca em cima dele! Faz ele arrotar que isso é com você! Eu estou com dor nas costas, coloca ele no berço pra mim? Você comprou cotonete e a pomada que eu pedi? Fecha a janela por que a claridade tá no rostinho dele…! Puxa, pega um copo d’água pra mim que agora eu não posso levantar, senão ele acorda! Penteia o cabelo, tóma! Será que hoje ele acorda às 12h30 ou as 2h? Essa noite ele chorou quatro vezes, acredita? E você nem viu? Passa no Posto de Saúde e pergunta se no sábado eles dão vacina! Ele não quer mais chupeta, mas assim é melhor… E agora ele colocou o dedo na boca, olha que belezinha!!!! Mas será que é bom chupar o dedo? Põe ele na cama pra brincar um pouco, paiiiiii! Ele tá fazendo força pra cagar, olha que gracinha…O nariz está escorrendo, será que ele está com frio? Arruma a roda do carrinho, parece que travou! Será que a água já está morna, outro dia ele se queimou! Pai, pega o shampoo e passa nas minhas costas? (?) Tem uma ropinha azul na quarta gaveta, pega pra mim?? Bom, agora ele precisa mamar no outro peito, pois esse já esvaziou! Arrota filho, arrota! Ihh, ele vomitou em cima de mim, pega um pano, pega um pano!!! Nossa, cagou de novo, acabei de trocar a fralda…!!!! O umbigo dele caiu hoje, pai! Que belezinha né filho? Olha, ele sorriu, será que tá feliz? (?) Bom, tira ele da cozinha pois ele vai ficar fedendo fritura! Paiiii, trás ele para mamar, tá na horaaaa!!!! Você fumou e está pegando a criança, fazfavorhein??? Lavou a mão? E a boca? Bom, vou dormir, me deixe em Paz, Henrique!





Peleguitos

21 01 2009

fear-721Como não produzir nada em 20 dias. Dá até uma cartilha dedicada aos senhores Vagabundos, ou como diriam outros, Covardes. Trabalhar sem produzir. Pela primeira vez senti esse gozo. Parado? Nunca. Em constante correria atrás de cifras. Trabalho e ganho pouco. Já disse uma vez que a egoesclerose tem me atacado tanto que não consigo sequer inventar histórias. Mal de jornalesma metido a Doutor. Bah, porra nenhuma! Sei inventar e escrever, mas alarguei o critério do julgamento para contar somente aquilo que vai me render dinheiro. Caso contrário, assumo a posição de um editorzinho idiota que vaga durante o estático período de concentração penetrando em cinquenta sites pornográficos, receitas culinárias, fofocas da TV, e tantas outras utilidades. Leia o resto deste post »





Operação ‘Lava Tudo’

24 12 2008

cloathings

A saga Henrique continua. É mais ou menos um sentimento espontâneo, em que tomei emprestado do colega Luiz Rivoiro. Porém ainda me falta tempo e espírito para relatar passo a passo dos primeiros passos de uma pai-de-primeira-viagem. Mas alguns fatos merecem registro por serem únicos. Mesmo que após o primeiro pequerrucho eu rasgue o bucho do céu para que caiam mais anjinhos de olhos puxados. Sim, Henrique é um japa-libanês, oriental ao extremo. Leia o resto deste post »